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Aeródromo Municipal de Cascais (Tires) certificado pelo regulador da aviação é encerrado pela EASA

Meios não compatíveis com actividade
O presidente do IPMA explicou ao PÚBLICO que o problema do aeródromo de Tires era conhecido “há algum tempo”, pois “o aeródromo presta níveis de serviço muito superiores” e que exigem outro tipo de equipamentos mais sofisticados. Miguel Miranda ressalvou que não esteve em causa nenhuma falha de segurança e que os meios que existem no local apenas não são compatíveis “com o nível de actividade que o aeródromo atingiu” e não estavam, por isso, certificados.
O dirigente do IPMA esclareceu, ainda, que os serviços meteorológicos necessários variam de acordo com as características do aeródromo. No local estavam disponíveis equipamentos e sensores que funcionam de forma automática, “mas são necessários equipamentos mais sofisticados e certificados, nomeadamente uma equipa residente de meteorologistas que emitam periodicamente comunicados com informações para os pilotos poderem fazer a aproximação à pista, aterrarem ou levantarem”. No manual do aeródromo lê-se que a estação meteorológica associada é a de Lisboa (a mesma do Aeroporto da Portela), quando manuais de outros aeródromos, como o da Horta, nos Açores, indica que tem um Centro de Meteorologia Aeronáutica próprio, isto é, com uma equipa do IPMA.
Miguel Miranda adiantou, ainda, que “a AESA considerou que os equipamentos disponíveis não são compatíveis com o nível de actividade, sendo necessário um upgrade imediato”. O IPMA está em contacto com o aeródromo para “encontrar uma solução de emergência” que permita o retorno das operações assim que possível, ainda que de “forma limitada”. Isto porque, sublinhou o presidente do IPMA, “as certificações são processos demorados” que vão levar mais tempo a concluir.
O encerramento acontece numa altura em que o aeródromo assinalaria 50 anos de funcionamento neste sábado, dia em que já não operou, visto que os últimos voos aconteceram na sexta-feira, apesar de a acção da AESA ter sido feita ainda na quinta-feira. O PÚBLICO tentou ouvir o director do aeródromo, António Santinhos, sem sucesso. Mas, à Lusa, o responsável adiantou que o aeródromo permanecerá encerrado pelo menos até segunda-feira.
“A decisão de fechar o aeródromo teve por base a falta de serviços meteorológicos obrigatórios. Temos uma estação automática que não está certificada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera e que devia estar, além de não termos um meteorologista”, justificou António Santinhos, que sublinhou ainda os “transtornos muito elevados” do cancelamento dos voos previstos para este fim-de-semana. Apesar de as inspecções surpresa serem uma prática recorrente, esta terá sido a primeira vez que o espaço de Tires recebeu uma acção deste género.

Prejuízos de milhares de euros
As empresas que trabalham no espaço do aeródromo, de acordo com valores avançados à Lusa, prevêem que este encerramento se traduza num prejuízo de 60 mil euros e exigem o apuramento de responsabilidades por terem sido avisadas em cima da hora, sem terem tido sequer a possibilidade de levar as aeronaves para outro local. Em causa está o cancelamento de serviços como táxis aéreos, voos de instrução, exames e outros alugueres planeados para o fim-de-semana.
O aeródromo, que funciona em S. Domingos de Rana, foi inaugurado a 11 de Outubro de 1964 e, desde essa altura, tem recebido várias modernizações e amplificações. O espaço, que é gerido pela empresa municipal Cascais Dinâmica, contava agora com uma pista já preparada para receber aviões que transportam até 40 toneladas, como salientava a Câmara Municipal de Cascais num texto no seu site a propósito do aniversário do aeródromo.
A pista inicial tinha 600 metros de comprimento e conta hoje com 1700 metros de comprimento e mais de 30 de largura, o que permite que pontualmente seja uma alternativa ao Aeroporto de Lisboa. No local funcionam cerca de 20 empresas que dão emprego 500 pessoas e existem ainda oito escolas de aviação que formam anualmente 200 pilotos. No ano passado o aeródromo realizou 25.632 voos de instruções de aviões e 3142 de helicópteros. Já em termos de tráfego, também no ano passado, foram contabilizados 39.689 voos, dos quais mais de 4500 de turismo e negócios.»

Romana Borja Santos, artigo publicado no jornal “Público
(12 Outubro 2014)

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