pista73.com

conteúdos de aviação comercial

Inicio

Ground Handling, América do Sul, Aeroportos

Brasil – Privatização aeroportuária, de onde vem essa cultura?

Abesata

Nos últimos anos, acompanhamos a chegada de investidores estrangeiros, vemos a importação de modelos de Changi (Singapura), Toronto (Canadá), de Buenos Aires (Argentina). Todos apresentados como ideais para o mercado brasileiro

e perfeitos para a solucionar a infraestrutura aeroportuária.
Não acreditamos nisso. Há tempos coleciono elementos e vivências à frente da Abesata que mostram que não basta a desestatização dos aeroportos. Não vamos alcançar a eficiência e a qualidade que os passageiros querem criando redutos da cultura suíça, alemã, canadense, argentina e tantas outras que ainda estão por desembarcar.
Recentemente, minhas reflexões ganharam força quando vi o CEO da IATA, Alexandre de Juniac, dizer que a “tendência de privatização de aeroportos no mundo é um modelo falido”. Juniac falou, ano passado, que a privatização resultou em alta de custos para as aéreas e não necessariamente em mais eficiência. No mundo, disse, os aeroportos mais eficientes são geridos pelo governo (Amesterdão-Schipol, Dubai, Hong Kong, Seul-Icheon e Singapura-Changi).
Não se trata, não se preocupem – de uma visão estatizante. Ou de um pensamento retrógrado. Mas da preocupação com a cultura aeronáutica e aeroportuária brasileira. De onde vem esta cultura? Em 1931, no Governo de Getúlio Vargas, foi criado o Departamento de Aeronáutica Civil. Dito isso, não adianta trazer outros modelos que não estão coadunados com o nosso povo, com a nossa legislação trabalhista, tributária e de concessões, e que vão funcionar como pequenos redutos dentro do nosso país. É conflito na certa.
Tanto as ESATAs (Empresas de Serviço Auxiliares do Transporte Aéreo) como as aéreas que operam no Brasil o fazem em diversos aeroportos de modo concomitante e coordenada. Não faz sentido esses operadores se adaptarem aos diferentes redutos. É mais legítimo, e eficiente, as administradoras de além-mar se curvarem à cultura nacional.
O Brasil é independente, está entre as 10 maiores economias do mundo, e tem boas perspectivas. Senão houvesse, não estaríamos deliberando modelos para a entrada de estrangeiras no País. Não vamos fatiar o Brasil em “suíças”, “alemanhas”. Vamos seguir forte e soberano. Investimentos são bem vindos e quem chega pode, e deve, trazer sua contribuição, mas precisa entender e respeitar nossas peculiaridades, história e legislação.

Fonte: Ricardo Miguel, presidente da Abesata, associação que representa as ESATA.

Artigos relacionados

Mais em Aeroportos, América do Sul, Ground Handling (12º de 731 artigos)

«O segmento de ground handling tem enfrentado um novo desafio nos últimos meses: lidar com o aumento exponencial de Esatas piratas. ...