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Brasil – Privatização aeroportuária, de onde vem essa cultura?

Abesata

Nos últimos anos, acompanhamos a chegada de investidores estrangeiros, vemos a importação de modelos de Changi (Singapura), Toronto (Canadá), de Buenos Aires (Argentina). Todos apresentados como ideais para o mercado brasileiro

e perfeitos para a solucionar a infraestrutura aeroportuária.
Não acreditamos nisso. Há tempos coleciono elementos e vivências à frente da Abesata que mostram que não basta a desestatização dos aeroportos. Não vamos alcançar a eficiência e a qualidade que os passageiros querem criando redutos da cultura suíça, alemã, canadense, argentina e tantas outras que ainda estão por desembarcar.
Recentemente, minhas reflexões ganharam força quando vi o CEO da IATA, Alexandre de Juniac, dizer que a “tendência de privatização de aeroportos no mundo é um modelo falido”. Juniac falou, ano passado, que a privatização resultou em alta de custos para as aéreas e não necessariamente em mais eficiência. No mundo, disse, os aeroportos mais eficientes são geridos pelo governo (Amesterdão-Schipol, Dubai, Hong Kong, Seul-Icheon e Singapura-Changi).
Não se trata, não se preocupem – de uma visão estatizante. Ou de um pensamento retrógrado. Mas da preocupação com a cultura aeronáutica e aeroportuária brasileira. De onde vem esta cultura? Em 1931, no Governo de Getúlio Vargas, foi criado o Departamento de Aeronáutica Civil. Dito isso, não adianta trazer outros modelos que não estão coadunados com o nosso povo, com a nossa legislação trabalhista, tributária e de concessões, e que vão funcionar como pequenos redutos dentro do nosso país. É conflito na certa.
Tanto as ESATAs (Empresas de Serviço Auxiliares do Transporte Aéreo) como as aéreas que operam no Brasil o fazem em diversos aeroportos de modo concomitante e coordenada. Não faz sentido esses operadores se adaptarem aos diferentes redutos. É mais legítimo, e eficiente, as administradoras de além-mar se curvarem à cultura nacional.
O Brasil é independente, está entre as 10 maiores economias do mundo, e tem boas perspectivas. Senão houvesse, não estaríamos deliberando modelos para a entrada de estrangeiras no País. Não vamos fatiar o Brasil em “suíças”, “alemanhas”. Vamos seguir forte e soberano. Investimentos são bem vindos e quem chega pode, e deve, trazer sua contribuição, mas precisa entender e respeitar nossas peculiaridades, história e legislação.

Fonte: Ricardo Miguel, presidente da Abesata, associação que representa as ESATA.

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