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Jörg H. Trauboth, especialista em segurança, entrevistado pelo Deutsche Welle

O ex-coronel da Força Aérea alemã Jörg H. Trauboth atuou como gestor de crises, piloto e foi representante da Alemanha na Otan para questões de segurança. Como consultor de risco, Trauboth trabalhou em casos de chantagem e sequestro. Diante do facto que pessoas ainda conseguem contornar os controles de segurança em aeroportos alemães, Trauboth expôs, em entrevista à DW, que o problema não está nos aeroportos, mas na falta de pessoal treinado. “Em vez de usar todos aqueles scanners corporais, deveríamos concentramo-nos no pessoal, como é o caso em Israel”, sugeriu.
Além disso, explicou o especialista em segurança, “na União Europeia (UE), nós estamos focados na tecnologia e na presença de líquidos. Quem fica procurando garrafas de água não vai encontrar bombas”.
Deutsche Welle: Nesta semana, no aeroporto de Frankfurt, uma mulher entrou na área de embarque sem uma verificação de segurança. Como é possível que pessoas ainda consigam contornar o controle em aeroportos alemães?
Jörg Trauboth: Isso tem pouco a ver com os aeroportos alemães propriamente ditos, isso acontece em todos os lugares. Se alguém quiser entrar na área de segurança, ele vai encontrar uma maneira, por mais que o aeroporto seja transformado numa fortaleza. O problema é que, na União Europeia (UE), nós estamos focados na tecnologia e na presença de líquidos. Quem fica procurando por garrafas de água não vai encontrar bombas.
O conceito em aeroportos alemães não é construtivo. Em vez de usar todos aqueles scanners corporais, deveríamos nos concentrar no pessoal, como é o caso em Israel. Os aeroportos precisam de um número suficiente de pessoal bem treinado – com ou sem uniforme – para monitorar quem está fazendo o check-in. Isso pode acontecer de mãos dadas com a tecnologia.
No aeroporto Ben Gurion, os israelitas utilizam o reconhecimento facial e usam monitores para observar pessoas suspeitas ou que chamem à atenção. Tais pessoas são abordadas, e se alguma coisa parecer sair do normal, elas são então removidas e interrogadas por pessoal treinado em técnicas psicológicas. Isso pode levar uma hora ou duas.
Pessoas de teste conseguem regularmente entrar com objetos perigosos na área de segurança. O controle de segurança está nas mãos certas?
Os prestadores de serviço são a segunda melhor solução. Eles não são funcionários públicos. Normalmente, eles têm contratos de curta duração e deixam a segurança do aeroporto após alguns anos – com uma expertise considerável. Os seres humanos são o ponto fraco nos nossos aeroportos, além de um conceito de prevenção abaixo do ideal. Eu apelo para que o controle nos aeroportos seja entregue à polícia, em vez de passá-lo para empresas externas.
Como deve ser a formação do pessoal de segurança?
A formação de um agente de segurança no aeroporto é feito em seis semanas. Nesse curto período de tempo, ninguém se pode tornar um especialista no reconhecimento de pessoas suspeitas, em particular porque a tecnologia muda constantemente. As empresas de segurança treinam o seu pessoal para manusear a tecnologia, examinar se os passageiros levam líquidos em suas bolsas e perguntar questões padrões – mas eles não examinam os rostos das pessoas.
Se o rastreamento é satisfatório, a pessoa é considerada “limpa”. As autoridades confiam num ou dois policiais federais estacionados por trás da área de controle de segurança. Trata-se de um sistema bastante estático. Mas estou convencido de que esse sistema não pode impedir um atentado.
Além disso, há outra área: o avião propriamente dito. Os problemas começam fora das fronteiras europeias. É de se esperar que os controles de segurança de bagagem sejam muito mais displicente num avião partindo da África. O que é alarmante é que o aeroporto de partida é o responsável pelo controle de bagagem, e não a pessoa que pilota o avião alemão até a Europa.
Realizar controles de segurança já na entrada dos aeroportos, como foi discutido após os atentados em Bruxelas, faz sentido?
Na Europa, o aeroporto de Bruxelas é o único a funcionar dessa forma. Os israelitas também fazem isso – mas em conjunto com uma série de câmaras de segurança, um sistema global permite-lhes filtrar elementos suspeitos.
No entanto, isso não é viável para nós, pois levaria a congestionamentos e os terroristas passariam a não mais atacar dentro dos aeroportos, mas onde as multidões se encontram, na entrada dos edifícios. Além disso, é preciso dizer que o movimento em Tel Aviv não pode ser comparado ao de Frankfurt. Se isso fosse instalado em grandes aeroportos alemães, os terroristas iriam para os menores.
Os controles nos aeroportos alemães precisam ser mais inteligentes, identificando pessoas e usando tecnologias complementares. Isso implica o completo monitoramento através de câmaras de vídeo, o mais tardar dentro do edifício. Apesar dos ataques em Bruxelas, parece que as pessoas não querem uma vigilância inteligente completa em todos os aeroportos da União Europeia, mas elas terão de decidir se querem ou não seguir nessa nova direção.»

Friedel Taube, artigo publicado na página de internet “Dw
(2 Setembro 2016)

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