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Montijo – abertura da base militar a voos comerciais já não é uma urgência

«O governo de Passos Coelho deixou um memorando praticamente pronto, ficando apenas a faltar estudos de procura que a equipa de Pedro Marques quer agora realizar. No entanto, fontes ligadas ao setor asseguram ao Dinheiro Vivo que o projeto está a perder importância perante a possibilidade de encerramento da pista secundária do aeroporto – a pista 17/35 -, o que levaria a Portela a operar apenas com a pista 03/21.
Este encerramento começou por ser pensado para a chegada dos aviões A350 que a TAP tinha encomendado à Airbus. Mas, apesar de a companhia portuguesa ter cancelado a encomenda, o encerramento da pista continua a ser encarado como uma das formas de aumentar o número de estacionamentos do aeroporto.
Há no setor várias dúvidas em relação a esta opção, desde logo porque a Portela não tem apenas falta de estacionamento, já está a ficar saturado em movimentos: “Se não conseguimos colocar mais aviões a aterrar, para quê tentar arranjar mais estacionamento?”, questiona uma fonte contactada pelo Dinheiro Vivo. Não é só: há dúvidas relativamente à segurança da Portela, uma vez que a pista 17/35 é a única que permite a aterragem de aeronaves quando se verifica um fenómeno de windshear (ventos contrários). Este mesmo fenómeno levou a que a APPLA, Associação Portuguesa de Pilotos de Linha Aérea, tenha mostrado a sua oposição a este projeto logo em 2014 quando se esperavam os aviões de grande porte da TAP. “Não é destruindo uma pista que está feita, não é relegando um aeroporto para fora da recomendação do manual 14 da ICAO [Organização Internacional da Aviação Civil] e não é aumentando o risco operacional em Lisboa em 25% das alturas do ano que se vai resolver o problema”, alertava à data o presidente Miguel Silveira. Desta vez, a Associação não comentou o caso.
Fonte ligada ao setor admite no entanto, que o caso está longe de ser encerrado e que, neste momento, “há esforços para reduzir o número de anticorpos que se levantam contra o fecho da pista”. Ora, sem certezas de quando ou como vai esta situação resolver-se, o governo e a gestora aeroportuária mantêm a base no Montijo como opção, ainda que de segunda linha. Os dois planos correm por isso em simultâneo. Questionado, o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas admitiu que o estudo de procura, “peça fundamental em falta”, vai confirmar “como vai evoluir o tráfego na Portela antes de se tomar uma decisão de fundo” para o futuro do aeroporto. “O ministro [Pedro Marques] quer garantir que aquela é a solução ideal e que garanta anos de tranquilidade”, ou seja, “não faz sentido investir no Montijo para ao fim de 10 anos já não servir”, adiantou fonte oficial.
Ainda ontem, Jorge Ponce Leão, presidente da ANA, adiantou que “é importante tomar decisões políticas” sobre o futuro do aeroporto. O gestor lembrou que há diversas soluções no quadro da Portela: continuar a investir no aeroporto, um novo aeroporto ou substituir a Portela por uma solução Portela + 1. Mesmo assim, adiantou que “estão todos os trabalhos preparados” para que seja tomada uma decisão. O governo comprometeu-se em decidir o futuro da Portela até final deste ano. Mas, fonte oficial do ministério de Pedro Marques confirma que, tal como o contrato de concessão da ANA determina, o esgotamento só ocorre a partir dos 22 milhões de passageiros. O objetivo é, por isso, começar a falar: “Não quer dizer que não se esteja a olhar para o problema, simplesmente talvez com menos urgência do que o governo anterior tinha.” O Dinheiro Vivo sabe que numa visita recente ao Montijo, o ministro assegurou ao autarca da cidade não só a abertura da base militar a voos comerciais como também novas acessibilidades, que passariam pelo alargamento da linha de comboio cuja estação mais próxima é a Pinhal Novo.»

Ana Margarida Pinheiro, artigo publicado na página de internet “Dinheirovivo
(19 Março 2016)

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