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O Aeroporto de Beja começará por ser um aeroporto industrial

«”Também não vale a pena acelerar enquanto não houver uma procura de tráfego” para o aeroporto de Beja que justifique, afirmou em entrevista à Lusa o presidente da concessionária dos aeroportos nacionais.
Até lá, “o tráfego de passageiros vai sempre continuar, mas a crescer de forma a não viabilizar, por si,” o projeto, que, adianta o gestor, “custa cerca de 1,5 milhões de EBITDA [resultados antes impostos, juros depreciação e amortizações] negativo”.
Ao mesmo tempo a ANA vai tentando resolver alguns problemas estruturais, um deles, prestes a ser solucionado, é o do custo do combustível, através de um protocolo que a empresa vai assinar com a Galp.
“A Galp cobrava um valor por litro [de combustível] substancialmente superior ao de Lisboa. Era difícil levar companhias a querem instalar-se lá com isso. Vamos investir num protocolo com a Galp onde, até se atingir uma determinada dimensão, nós suportaremos o diferencial […]”, explicou Ponce de Leão.
Através deste protocolo com a Galp, a ANA está a criar condições para que “o aeroporto de Beja também fique competitivo nesta matéria”, adiantou.
Já sobre o horizonte no qual o aeroporto se poderá tornar rentável, o presidente da ANA não arrisca previsões.
“Temos interrogações suficientemente importantes”, adianta o responsável, exemplificando com o impacto que o problema do Ébola pode vir a ter nos fluxos turísticos ou os efeitos da recessão na europa. “Não tenho uma bolinha de cristal”, conclui.
“O que sei é que foi um risco assumido, que vamos procurar minimizar através de operações de natureza que chamo industrial, para reduzir rápida e significativamente a contribuição negativa”, assegurou.
E acrescentou: “A minha opinião pessoal é a de que não é um investimento deitado à rua, é um investimento estratégico para o país, que foi considerado na avaliação da ANA e que se considera com um enorme potencial a prazo. Esse prazo, há tantos fatores a condicioná-lo, que a obrigação da gestão é, no mais curto espaço possível, torná-lo neutro” para depois passar “a ter uma contribuição positiva.

“Beja começará por ser um aeroporto industrial. Quando eu chamo aeroporto industrial é porque o que está previsto a mais curto prazo é uma operação de desmantelamento de aviões em fim de vida e também o desenvolvimento de um projeto de manutenção. Esses serão os dois primeiros projetos”, conclui.
E desdramatizando a situação, o gestor aponta o exemplo dos Açores. “Repare, 2015 é o primeiro ano em que os Açores vão ter uma contribuição ao nível do EBITDA positiva. Também será assim. Porque é que se exige a Beja aquilo que não se exige aos Açores, apenas porque é uma ilha?”.

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