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Grupo DHL investe €50 milhões em Portugal

«Há dois números que mostram como o mundo mudou, até na carga movimentada pela DHL: o transporte de luvas descartáveis compradas online disparou 670%, enquanto nas malas dos turistas a quebra foi de 77%.

Mostram também que a transportadora internacional “pode ser um bom barómetro da economia”, diz José António Reis, diretor-geral da DHL Express Portugal, garantindo que a empresa não sentiu quebra nas exportações no mercado nacional.
“Estamos até a crescer em relação ao período homólogo de 2019”, afirma o gestor, à espera de um salto de 11% nos negócios no país este ano, depois do crescimento de 8% no primeiro trimestre. Sem avançar valores para a operação no país, a empresa líder mundial em serviços correio e logística garante que se manteve a trabalhar “praticamente a 100% e sem interrupções de serviço”, durante o confinamento. “Como temos uma frota própria, isso dá-nos uma boa margem de manobra. Aliás, fomos a empresa com mais aviões nos céus europeus durante a pandemia”, sublinha.
O período de confinamento veio confirmar o reforço das encomendas digitais direcionadas a clientes particulares e empresariais. “As próprias empresas estão cada vez mais a fazer compras online”, adianta o gestor. “O B2C cresce 45% no grupo e Portugal segue a tendência”, acrescenta
A confirmar a confiança “na dinâmica da economia lusa”, a empresa do grupo Deutsche Post DHL reforça a aposta em Portugal. Está a investir €40 milhões num novo terminal de carga no aeroporto da Portela, onde quer quadruplicar a capacidade logo que possível, apesar do projeto, que no calendário inicial deveria estar pronto em 2021, ter já um ano de atraso “devido à necessidade de criação de novas acessibilidades que impactam com o terreno da empresa”. E, a este valor, junta €10 milhões para a ampliação de espaço no Aeroporto Sá Carneiro e a abertura de três lojas próprias, em Lisboa, Porto e Braga, para vender os produtos e serviços, e divulgar a sua marca. A rota até 2023 “é de crescimento, o pipeline de investimentos vai continuar e também vamos contratar. Somos um país estratégico para a DHL”, garante José António Reis que no âmbito da política de aproximação aos clientes já tem uma loja própria no Areeiro e uma rede de 350 pontos de serviço em parceria com lojas em todos o país. A quota de 52% no correio expresso internacional aéreo de mercadorias e documentos em Portugal, sobe até aos 60% no Norte, puxada pelas exportações de sectores como os têxteis, calçado e automóvel. Já no Sul, domina a banca, apesar de também haver fluxo exportador da indústria, designadamente aeronáutica. O ritmo diferente nos dois aeroportos lusos justifica o facto de a empresa ter um avião dedicado em Lisboa e outro no Porto, onde recebe um segundo avião três dias por semana para recolher mercadoria e entregá-la num dos seus hubs, normalmente Leipzig.
Com uma frota global de 260 aviões, a empresa emprega 110 mil pessoas e fechou 2019 com vendas de €17,1 mil milhões (+5,9%). O volume de envios aumentou 5,7% no mundo e 24% em Portugal, mais um indicador a justificar a aposta lusa. No plano de investimentos de dois mil milhões de euros definido pela DHL Express para a área digital até 2025, Portugal também aparece ao lado da Bélgica como um dos dois países-piloto na introdução de uma tecnologia pioneira que engloba leitura ótica de documentos e produção de informação nos sistemas via Smart OCR, de forma a preencher automaticamente documentos alfandegários. Mas ser escolhido para este tipo de experiências não é novidade: “Temos muitas pessoas com competências tecnológicas e respondemos bem a este tipo de desafios, por isso já temos sido país-piloto”, comenta.
No futuro próximo, haverá drones inteligentes a fazerem entregas de mercadorias, até porque a DHL está a investir nisto nos seus centros de desenvolvimento e inovação e já tem realizado experiências de entrega de medicamentos em zonas recônditas de África»

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