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CEO de Heathrow assume culpa do caos aéreo

«A BAA, que opera o aeroporto londrino, investiu apenas 588 mil euros em equipamentos anti-neve.
O ‘chief executive officer’ da BAA, a empresa que gere o aeroporto londrino de Heathrow e pertence à espanhola Ferrovial, Colin Matthews, decidiu ontem assumir total responsabilidade pelo caos dos últimos dias no segundo aeroporto mais movimentado do mundo, provocado pela neve. “Tivemos condições inaceitáveis para os passageiros nos últimos dias. Sou responsável e decidi que vou renunciar ao meu bónus relativo a 2010”, disse Matthews em conferência de imprensa.
Ontem, os principais aeroportos europeus tentaram voltar à normalidade e acelerar o ritmo para compensar os atrasos nas viagens antes do Natal, aproveitando uma pequena trégua no mau tempo que antecede as previsões de fortes nevões nos próximos dias. Em Heathrow, onde a situação era mais crítica, estava ontem previsto que fossem operados dois terços dos voos programados.
A BAA não revela qual o montante do bónus calculado para este ano para Colin Matthews, mas em 2009 o CEO foi recompensado com 1,2 milhões de euros, excluindo as acções da empresa que lhe foram atribuídas. Apesar desta decisão de abdicar do seu bónus anual, será difícil para Matthews conseguir restaurar a reputação de Heathrow, cuja administração somou duras críticas esta semana pela incapacidade de lidar com os problemas causados pela queda de neve.
A BAA garantiu que investigará a situação nos aeroportos que opera (Heathrow, Stansted, Glasgow, Edimburgo e Aberdeen, no Reino Unido, e Nápoles em Itália) para “tirar lições” dos nevões do passado fim-de-semana.
As principais criticas surgiram do comissário europeu para os Transportes, Siim Kallas, que disse ser “inaceitável” o nível de perturbações que a neve causou nas viagens na Europa, defendendo que as companhias aéreas podem avançar com processos contra os aeroportos, por erros de gestão. Kallas chegou mesmo a ameaçar com a exigência de “serviços mínimos aos aeroportos” por parte de Bruxelas.
O comissário deu ainda o exemplo dos aeroportos dos países nórdicos, que raramente encerram ou cancelam voos por causa da neve. Ontem a Dinamarca registou as temperaturas mais baixas em 29 anos (22,5 graus negativos) e mesmo assim o aeroporto de Copenhaga registou uma dia totalmente normal. O aeroporto de Estocolmo, na Suécia, nunca fechou nos últimos 50 anos por causa da neve.
No Reino Unido também choveram críticas contra a BAA quando os responsáveis da empresa recusaram a ajuda militar oferecida pelo primeiro-ministro David Cameron para desbloquear o aeroporto de Heathrow.
Outro motivo de polémica é o magro investimento da BAA em equipamento para lidar com o gelo e a neve: de um programa de investimentos de seis mil milhões de euros em cinco anos, apenas 588 mil euros foram dedicados em 2010 em tecnologia anti-neve, estando mais 3,5 milhões previstos para os próximos quatro anos. Por seu lado, o aeroporto londrino de Gatwick (metade do tamanho de Heathrow) investiu o dobro, 1,18 milhões de euros este ano e 8,23 milhões em quatro anos. No que diz respeito à “frota de neve” dos dois aeroportos, Gatwick tem 150 veículos e Heathrow apenas 69.

Mau tempo causa prejuízos de 2,5 milhões à TAP
A companhia aérea portuguesa calcula em 2,5 milhões de euros o prejuízo acumulados desde sexta-feira devido ao mau tempo na Europa. A neve no Norte da Europa, com o encerramento total e parcial de diversos aeroportos, já causou à TAP prejuízos na ordem dos 2,5 milhões de euros. “Esta é uma estimativa inicial e este valor pode ser revisto”, disse ao Diário Económico, fonte oficial da companhia aérea. Ao todo, a companhia portuguesa teve que cancelar mais de 61 voos nos últimos cinco dias e calcula em cerca de 90 mil os passageiros afectados por cancelamentos ou “grandes atrasos”. Hoje, e de acordo com a mesma fonte, a operação da TAP está a funcionar “normalmente” e a companhia aguarda autorizações para realizar voos extras que permitam encaminhar os passageiros que se encontram retidos em Londres.

Aeroportos mais afectados pelo mau tempo
Heathrow
Ontem, o aeroporto londrino de Heathrow anunciou que esperava operar dois terços dos voos programados. A empresa gestora do aeroporto, BAA, confirmou que as duas pistas estavam a funcionar mas avisou que as companhias aéreas ainda estão com dificuldades em cumprir os horários. A British Airways informou que iria operar apenas um terço dos voos até amanhã.

Frankfurt
Responsáveis do aeroporto alemão de Frankfurt informaram que foram cancelados 70 dos 1.300 voos diários previstos para ontem, por comparação com os 500 voos cancelados na terça-feira. O porta-voz Thomas Uber disse que ainda há 3.500 passageiros retidos em Frankfurt, sendo que 600 passaram a noite em abrigos improvisados.

Charles de Gaulle
Face a previsões de fortes nevões para os próximos dias, a autoridade francesa de aviação civil pediu ontem às companhias aéreas para reduzirem significativamente os voos operados a partir do aeroporto parisiense Roissy-Charles de Gaulle: 15% ontem, 25% hoje e 20% amanhã, sexta-feira e véspera de Natal.

Bruxelas
Depois de ter sido forçado a encerrar desde segunda-feira e a cancelar todos os voos por causa da falta de líquido descongelante, ontem o aeroporto de Bruxelas anunciou que iria “retomar as operações normais de Inverno”. O aeroporto tem agora ‘stocks’ suficientes de líquido para descongelar os aviões e permitir a sua descolagem nos próximos dias.»

Bárbara Silva , artigo publicado na página de internet “Económico
(23 Dezembro 2010)


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